domingo, 4 de novembro de 2007

PAUSA POÉTICA

Ilha de Santa Catarina

Araújo Figueiredo (*)

Ilhéu que
sou, que graça e que contentamento
Sinto eu, quando te vejo e te percorro, ó
Ilha!
És, dos mares do Sul, a eterna maravilha;
E parece que tens um certo
movimento!

Embalam-te, num gozo, as carícias do vento;
E outras
vezes o vento os teus mares fervilha...
Pelos teus campos toda a luz do sol
rastilha;
Dá-lhes todo o vigor dum puríssimo alento!

Como eu te
quero bem, Ilha dos meus amores!
Com os teus laranjais, tuas vinhas e
flores;
Teus riachos de prata, abraçados em nastros...

E tuas
praias são esteiras de alvo linho,
Que se estendem a um sol de inefável
carinho,
Palpitantes de luz, de proas e de mastros!

(*) Para muitos que vivem em Florianópolis, Araújo Figueiredo é apenas o nome de uma rua próxima ao Teatro Álvaro de Carvalho. Mas Juvêncio de Araújo Figueiredo foi um dos mais importantes poetas catarinenses do século 19, contemporâneo (e amigo) de Cruz e Sousa, Virgílio Várzea, Santos Lostada e Horácio de Carvalho, grupo de poetas que seguia a linha estética do realismo (o ideal da beleza). Culto, foi promotor público e jornalista, além de fervoroso militante partidário (Partido Liberal Catarinense). Araújo Figueiredo nasceu em Desterro (hoje Florianópolis) em 27 de setembro de 1864. Viveu alguns anos no Rio de Janeiro, mas voltou à capital catarinense, tendo ido residir no sítios dos Coqueiros, junto ao mar que tanto amava. Morreu em 6 de abril de 1927, deixando uma obra volumosa, em que se destacam “Madrigais” (1888), “Ascetério” (1904) e “Praias de Minha Terra” (1927). É deste último, que integra a antologia comemorativa do centenário de nascimento de Figueiredo (1964), que foi extraído o poema acima.

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